Ministério Público Eleitoral deve investigar gravação que circula nas redes sociais e pode acabar com a candidatura de David.

O candidato a prefeito de Manaus, David Almeida, vai receber o apoio dos servidores do Governo do Amazonas por imposição do governador Wilson Lima. É o que diz o áudio vazado que circula nas redes sociais. Em uma gravação que a reportagem teve acesso, a voz do marido da Coordenadora do Distrito 6, da Seduc, Valquíria Monteiro, avisa o interlocutor para apoiar David sob ordem do governador. Com popularidade baixa, Wilson não anunciou publicamente que estaria dando suporte ao candidato.

“Hoje o Governo do Estado se manifestou pra apoiar o David Almeida. Todos os comissionados do Estado vão começar, a partir de amanhã, a ir para as ruas pedir voto do David. A Valquíria (Monteiro) estava numa reunião agora e me passou. Todos eles serão obrigados a ir para as ruas. Ele (governador Wilson Lima) vai usar a máquina do Estado para ajudar o David. Ele não vai aparecer, só vai por os funcionários e toda a estrutura do Estado na campanha do David”, diz o áudio.

O Ministério Público Eleitoral deve investigar a denúncia. Para configurar a infração à Lei Eleitoral basta a prática de qualquer das condutas previstas no artigo 73 da Lei 9.504/1997, como o uso de servidores públicos em horário de expediente, “não havendo necessidade de se demonstrar potencialidade apta a causar desequilíbrio ou influir no resultado do pleito, nem benefício concreto a qualquer candidato”.

Não é a primeira vez

Esta não é a primeira vez que David é citado em denúncia de uso da máquina pública. Em setembro, um portal de notícias denunciou um encontro sigiloso entre funcionários da Secretaria Estadual de Justiça (Sejusc) e o governador Wilson Lima com a equipe do candidato do Avante. No mesmo mês, a apoiadora de David e ex-candidata a deputada estadual, Rosana Frota, foi flagrada distribuindo cestas básicas em nome dele e pedindo votos durante um encontro com mulheres na zona Norte.

Na única vez que ocupou cargo no Executivo, quando foi interino em 2017, o MPE apresentou ação contra David por usar a máquina pública em favor de Rebecca Garcia (PP), candidata a época ao governo do Estado.

Na ocasião, o MPE sustentou que funcionários públicos foram coagidos a fazer campanha para Rebecca. Os que se recusaram, segundo a denúncia, foram exonerados –caso de 48 servidores da Superintendência Estadual de Habitação. Os procuradores, na época, pediram a reintegração dos demitidos e a proibição da exoneração de comissionados até o fim da eleição daquele ano.

OUÇA O ÁUDIO:

 

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