Tendo como presidente de honra o general Hamilton Mourão, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) está com novo comando no Amazonas: sai o deputado Josué Neto, presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), e entra José Nilmar Alves, o ‘Pastor Nilmar’, aliado do governador do Estado, Wilson Lima (PSC).

A informação foi confirmada na noite desta segunda-feira, 7, pela Executiva Nacional do partido, em Brasília, cujo presidente é o Pastor Levy Fidelix. Os dois tiveram uma reunião e oficializaram a substituição na condução da sigla no Estado. O Diretório Municipal em Manaus também passou por alteração com a saída do deputado estadual Fausto Júnior.

O PRTB muda de direção no Estado, quatro dias após a presidência da Aleam permitir uma manobra para eleger o deputado Roberto Cidade (PV) para presidência da Casa, alterando a Constituição Estadual no último dia 3. A modificação constitucional foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam). A procuradoria da Assembleia recorre da decisão.

Pastor Nilmar é professor, mestre e doutor em Economia pela Universidade Católica de Brasília. Antes de assumir o PRTB, ele era filiado ao Partido Social Cristão (PSC).

Da ascensão à queda

Josué Neto foi da ascensão à queda em 2020. No início deste ano, ele conseguiu uma carta de autorização do partido onde estava filiado, o PSD, sem sofrer sanções ao seu mandado na Aleam e depois assumiu o PRTB no Amazona. No Estado, o PSD está sob o comando do senador Omar Aziz.

Com “favores” não atendidos pelo governo, Josué Neto e os deputados que o acompanham na Aleam iniciaram uma série de investidas, entre elas a utilização de assessores para campanhas difamatórias na internet, pedidos de impeachment do chefe do Executivo e a “investigação seletiva” da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

Difamação frustrada

Após a descoberta de funcionários da Aleam por trás de grupos virtuais que pediam a saída do cargo do governador do Amazonas, o movimento perdeu força e passou a ser alvo de investigação de órgãos fiscalizadores, já que a maioria dos assessores sequer cumpria expediente no Parlamento.

Suspeição em impeachments

Nos pedidos de impeachment, também, havia ligações pessoais entre o presidente da Aleam e os “denunciantes”, em sua maioria formada por amigos e pessoas vinculadas a deputados aliados do ex-governador Amazonino Mendes (Podemos), opositor ao governo. Em meio a ilegalidades nas denúncias, o Tjam suspendeu o processo.

Uma CPI seletiva

A CPI da Saúde – criada para investigar a gestão estadual de Saúde no período de 2011 a 2020 – focou no governo de Wilson Lima, que responde a uma investigação da Polícia Federal (PF) pela compra de respiradores na pandemia, no valor de R$ 2,9 milhões, na Operação Sangria.

A Operação Maus Caminhos, que descobriu um desvio de R$ 100 milhões na Saúde no governo de José Melo (2014-2017), não entrou na relação da CPI da Saúde, formada em sua maioria por aliados de Amazonino e deputados ligados ao presidente da Aleam.

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