Manaus (AM) – Na noite do último domingo (30), o programa Fantástico, da Tv Globo,  exibiu o depoimento das irmãs Isabelle e Gabrielle Lins, que teriam sido vacinadas indevidamente contra a Covid-19, o depoimento ocorreu no dia 22 de janeiro.

De acordo com Gabrielle e Isabelle Lins, no dia 11 de janeiro elas foram convocadas para uma reunião, que ocorreu na sede da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA). Na reunião, ficou claro a necessidade de ter mais profissionais de saúde atuando na linha de frente em combate à Covid-19, e elas aceitaram a oferta de trabalhar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da Prefeitura de Manaus.

Ainda durante a reunião, foi combinado pelo assessor da Semsa, Djalma Pinheiro Pessoa Coelho, que elas seriam contratadas por uma empresa dele, e que essa empresa prestaria serviço para a prefeitura. No caso, segundo a lei, se trataria de uma pejotização.

No entanto, de acordo com a Secretária de Saúde do município, Shadia Fraxe, esse processo de contratação sugerido por Djalma iria demorar, e eles precisavam urgentemente de mais médicos. Diante disso, foi tomada outra medida para que as médicas fossem contratadas. “Garanto que ficará melhor do que combinamos. Tanto na segurança em receber quanto no valor recebido.”, disse  o empresário Djalma.

No dia 18 de janeiro a Prefeitura de Manaus burlou uma estratégia para efetuar uma contração rápida, e com isso infringiu a lei. Subestimando a inteligência da população, o prefeito David Almeida nomeou além das irmãs, mais oito jovens médicos, todos com o cargo de ‘gerentes de projetos’.

Essa estratégia foi adotada pela Prefeitura de Manaus justamente pelo cargo não exigir um concurso público para ser ingressado, no entanto, o salário pelo mesmo é de R$9 mil por pessoa.

Sobre a vacina

Durante a reportagem a médica Isabelle relatou que quando foi chamada para ser vacinada não ficou chocada, apenas ficou surpresa pela rapidez. “Nossa tipo assim: a vacina chegou ontem e eu vou me vacinar hoje?”. Isabelle informou também em depoimento que não sabia que existia grupo de risco dentro do grupo prioritário, se soubesse, sem dúvida nenhuma, ela iria desrespeitar ou ter passado por cima disso.

O que diz o prefeito 

David Almeida afirma que o ato foi legal, porque o médicos além de atenderam os pacientes, também precisam elaborar projetos.

David então acredita que a estratégia usada foi justa, mesmo que ela tenha privilegiado várias pessoas na fila da vacinação, enquanto até o momento há centenas de profissionais de saúde que não foram vacinados e estão lutando desde abril do ano passado para combater a Covid-19.

O Ministério Público

Para os promotores do Ministério Público, David Almeida cometeu crime de prevaricação e peculato e chegou a pedir sua prisão, negada pela justiça. Até a manhã desta segunda-feira (01), a Secretaria de Comunicação não se manifestou sobre a reportagem.

Ainda de acordo com a reportagem, a contratação da prefeitura infringe a lei e configura o crime de falsidade ideológica, “Essa informação de tá contratando médicos mas com o cargos diferente, configura falsidade ideológica. Você tá incluindo em documento uma informação que não condiz com a realidade”, disse o Promotor de Justiça, Armando Gurgel Maia.

Veja reportagem completa: (A partir de 04:14 a médica afirma que não tinha conhecimento do grupo de risco)

Share: