O Ministério Público deixa claro que só age no quintal dos outros, no seu não faz muita questão

A suposta fraude nas vacinas é um caso de extremo interesse público que deve ser apurado com todo o rigor possível. Mas devemos aplaudir a urgência e rapidez com que o Ministério Público do Amazonas (MPAM), investigou, constatou irregularidade e pediu a punição dos envolvidos no caso.

Celeridade esta que não se viu na apuração da Operação Héstia que investigava crimes de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e evasão fiscal contra a ex-primeira-dama do município Elisabeth Valeiko e pessoas próximas a ela. Foi preciso reportagens na mídia para que o caso se reacendesse, já que o MPAM havia finalizado o processo de investigações, para culminar na Operação Boca Raton, que no fim não terminou prisões, apesar de todos os fatos pesarem contra os envolvidos.

Tampouco se viu o MPAM emitir algum parecer sobre a suposta prevaricação e tráfico de influência exercidos pela ex-procuradora-geral Leda Mara Albuquerque, que tinha seu irmão nomeado na Casa Civil da gestão anterior e seu cunhado como coordenador do gabinete pessoal ex-prefeito Arthur Neto. Detalhe, o cunhado assumiu o cargo no mesmo ano que ela tomou posse na chefia do MP. Ao contrário do que se esperava, o MP informou que as nomeações são livres e de responsabilidade do executivo. Não explicou se abriria processo de investigação para saber as circunstâncias das nomeações, ou seja, “obrou” e se locomoveu para um ato de interesse sórdido. Fingiu demência para proteger seus apaniguados.

É preciso coragem para fazer justiça no Brasil, enfrentar os poderosos e punir os desmandos dos que se acham intocáveis, mas é necessário mais coragem ainda para punir um dos seus, cortar na própria carne, ao preço da descrença social. Se um órgão de controle não capaz de punir os seus quando cometem atos ilícitos, que moral deverá ostentar para apontar o dedo para as ilicitudes alheias?

Não queremos acreditar que o MPAM seja comandado por ratos roedores da moralidade. Não queremos acreditar que o MP serve a interesses menores que os públicos. Não queremos acreditar o órgão seja um braço ou uma extensão da corrupção estrutural. Mas se não usam dois pesos e duas medias, o que resta pensar?

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